Decidi compartilhar com os amigos leitores deste blog uma idéia que me passou pela cabeça.
Vi no orkut uma comunidade, com 4881 membros, de nome “Good writing is sexy”, a qual, pelo que pude entender, preza a boa escrita como uma forma de beleza.
A boa escrita é realmente bela e atraente, mas a idéia de venerá-la, não posso mentir, me assusta um pouco.
Posso estar enganado, mas o processo criativo de um adepto desta idéia é o seguinte: “Preciso escrever algo belo, mas o que? Política, economia, arte, cotidiano? Reforçarei o sarcasmo, ou serei dramático? (…)
O porque do que se escreve fica relegado a um segundo plano. Ou não?!
Alguem poderia falar do idealismo de Platão, da Beleza, da Sabedoria, mas fala sério, não tem nada a ver, um texto, pelo simples fato de ser texto, não é Sabedoria nem Beleza, traçar parâmetros nesse sentido fica bem difícil.
Tomemos por exemplo o meu post de hoje. Dois foram os motivos para escrevê-lo: o primeiro é agitar o blog, manter viva a discussão da ética, e esquentar os encontros de segunda-feira à noite. O segundo, simultâneo ao primeiro, foi falar sobre o que eu chamaria de resquicios de cultismo nos tempos modernos, através do exemplo do movimento “Good writing is sexy”.
Entretanto…
É bem provável que eu não escrevesse nada se não tivesse o prazer que tenho ao escrever, pois sim, dá-me um prazer escrever aqui. Por motivos vários: esta idéia será comentada na segunda, é possível que alguém venha e me fale “não tinha pensado nisso!” (assim como eu não penso em um monte de outras idiotices), eu exercito minha capacidade de persuasão e raciocínio, faço uma ginástica mental…
Será então que…
Quis escrever aqui pelo simples – ou não - prazer de haver escrito algo belo? Pergunto-me a mim mesmo e já não sei responder. Embora minha mais íntima convicção diga-me que não o fiz, prefiro abster-me de juízos.
Concluindo…
Sob esse prisma, o prazer advindo da escrita é consequência, embora simultâneo à causa (que na verdade são muitas, muitas mesmo) de se escrever. Mas, se se torna causa, um texto, ao invés de conter uma narrativa, se impregnará de um pigmento espelhado, no qual se refletirá a pompa do escritor, numa atitude equiparada a de Narciso, no esplendor de sua beleza.
O texto já está tão confuso que perdi a linha de raciocínio. Já não sei porque escrevi. Embora saiba algumas das causas. Estou tão confuso que o melhor a fazer é parar por aqui.